Brasil lamenta Pelé, o rei do futebol

O Brasil inicia na sexta-feira um luto estadual de três dias pela lenda do futebol Pelé, o tricampeão mundial que é amplamente considerado o maior jogador de todos os tempos e que morreu aos 82 anos.

A morte de The King, que transcendeu o futebol, gerou uma onda de homenagens do mundo do esporte, bem como de líderes políticos e culturais de todo o mundo.

Pelé morreu na quinta-feira no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, após uma longa batalha contra o câncer.

“Nós te amamos infinitamente. Descanse em paz”, escreveu a filha Kely Nascimento no Instagram.

O mundo do futebol – dos ex-companheiros aos atuais craques – se uniu para homenagear “O Rei”, que transformou o esporte ao longo de uma longa carreira profissional iniciada ainda na adolescência.

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O craque brasileiro Neymar disse que Pelé “transformou o futebol em uma arte”. O francês Kylian Mbappé disse que seu legado “nunca será esquecido” e o português Cristiano Ronaldo o chamou de “inspiração para milhões”.

O capitão campeão mundial da Argentina, Lionel Messi, simplesmente escreveu: “Descanse em paz”.

O presidente brasileiro Jair Bolsonaro, que declarou três dias de luto nacional, prestou homenagem a um homem que “transformou o futebol em arte e alegria”, enquanto o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, que deve tomar posse no domingo, twittou: ” Nunca houve um número 10 como ele.”

Pelé é o único jogador de futebol da história a ter conquistado três Copas do Mundo – em 1958, 1962 e 1970.

Em sua carreira de 21 anos, ele marcou um recorde mundial de 1.281 gols em 1.363 jogos.

Sua saúde estava cada vez mais frágil, lutando contra problemas renais e câncer de cólon – este último ele passou por uma cirurgia em setembro de 2021, seguida de quimioterapia.

Um velório será realizado na segunda-feira, seguido de um funeral na terça-feira em Santos, a cidade do sudeste onde ele passou a maior parte de sua carreira, disse seu ex-clube.

A cidade declarou luto de sete dias, enquanto torcedores lotavam o estádio do time para depositar flores.

Os torcedores ergueram uma faixa com os dizeres “Eterno Rei Pelé” em frente ao hospital de São Paulo onde ele morreu.

No Rio de Janeiro, a estátua do Cristo Redentor, que domina a cidade, foi iluminada em homenagem a Pelé, assim como o icônico Estádio do Maracanã.

Para o jornal brasileiro O Globo, cuja primeira página estava repleta de histórias sobre a lenda do esporte, Pelé continuava sendo o “rei imortal do futebol”.

Como prova da influência de Pelé, figuras internacionais como o presidente dos Estados Unidos Joe Biden e o ex-presidente Barack Obama, as lendas da música brasileira Caetano Veloso e Gilberto Gil e o chefe do Comitê Olímpico Internacional, Thomas Bach, também prestaram homenagem.

“Como um dos atletas mais reconhecidos do mundo, ele entendeu o poder do esporte para unir as pessoas”, escreveu Obama.

Edson Arantes do Nascimento – em homenagem ao inventor americano Thomas Edison – nasceu na cidade de Três Corações, no sudeste do país, em 23 de outubro de 1940, e cresceu vendendo amendoim na rua para ajudar sua família empobrecida a sobreviver.

Ele logo ganhou o apelido de Pelé por causa da pronúncia errada de Bile, o nome de um goleiro do Vasco de São Lourenço, onde seu pai jogador de futebol jogou.

Pelé encantou desde os 15 anos, quando começou a jogar profissionalmente no Santos. Ele levou o clube a uma série de títulos, incluindo Copas Intercontinentais consecutivas em 1962-1963.

Ele encarnou o grande estilo de jogo da seleção brasileira, o chamado “futebol samba”.

Pelé estabeleceu seus recordes jogando pelo Santos (1956-74), pela seleção brasileira e pelo New York Cosmos (1975-77).

Mas, além dos muitos padrões que estabeleceu, ele será lembrado por revolucionar o esporte, seu onipresente número 10 nas costas enquanto explorava seu atletismo sobrenatural.

Como a primeira estrela global do futebol, ele desempenhou um papel importante em tornar o jogo uma potência esportiva e comercial.

Ele também jogou com corações, o que pode ser visto nas imagens em preto e branco do garoto de 17 anos chorando depois de ajudar o Brasil a conquistar seu primeiro título mundial em 1958.

Oito anos antes, quando Pelé viu seu pai chorar quando o Brasil perdeu a final da Copa do Mundo de 1950 para o Uruguai em casa, Pelé havia prometido levar o troféu para casa um dia.

Pelé atingiu o ápice de sua grandeza na Copa do Mundo de 1970, no México, primeira transmissão em cores, onde estrelou ao lado de talentos como Rivellino, Tostão e Jairzinho naquela que muitos consideram o maior time de todos os tempos.

Em viagens ao exterior com o Santos ou a Seleção, muitas vezes era recebido como rei. Segundo a lenda, sua chegada à Nigéria em 1969 levou a uma trégua de 48 horas na sangrenta Guerra de Biafra.

Pelé recusou ofertas para jogar na Europa, mas assinou no final de sua carreira por um breve e lucrativo canto do cisne com o New York Cosmos, trazendo seu poder de estrela para a terra do “futebol”.

Sua influência estendeu-se para além do campo, com aparições como estrela de cinema, cantor e ministro dos Esportes (1995-1998) – foi um dos primeiros ministros negros do Brasil.

Mas às vezes ele foi criticado no Brasil por seu silêncio sobre questões sociais e racismo, e pelo que alguns viram como sua personalidade arrogante e vaidosa.

Ao contrário do rebelde argentino Diego Maradona, um de seus rivais pelo título de Maior de Todos os Tempos, Pelé era considerado próximo do poder – incluindo o regime militar brasileiro de 1964 a 1985.

A saúde de Pelé começou a piorar na última década. Suas aparições públicas tornaram-se menos frequentes e ele frequentemente usava um andador ou cadeira de rodas.

Ele foi hospitalizado várias vezes por infecções do trato urinário, depois novamente em 2021 e 2022 por câncer de cólon, que marcou o início do fim.

Ele enfrentou seus problemas de saúde com humor típico.

“Vou entrar nesta partida com um sorriso no rosto”, postou ele no Instagram em setembro de 2021, após passar por uma cirurgia para remover o tumor do cólon.

Mario Zagallo, campeão mundial ao lado de Pelé em 1958 e 1962, disse que o rei “parou o mundo várias vezes” com seu talento.

“Ele deixa um legado eterno e inesquecível”, disse Zagallo, de 91 anos.

Alberta Gonçalves

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