Espanha e Portugal experimentam o clima mais seco em 1.200 anos

Este não é o melhor momento para os agricultores, especialmente os afiadores, em algumas partes da Península Ibérica. Novas pesquisas mostram que essas áreas são as mais secas em cerca de 1.200 anos, ameaçando a produção de vinho e azeitona.

No estudo publicado na Nature Geoscience, investigadores americanos referem que a expansão do Alto dos Açores representa uma ameaça. Eles disseram que as mudanças observadas neste sistema de alta pressão ao longo do século passado como resultado de mudanças nas condições climáticas são “sem precedentes”.

Solo seco devido a onda de calor

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Essas mudanças podem ter sérios impactos no clima do Mediterrâneo ocidental e na produção agrícola.

Expansão do Alto dos Açores

O Alto dos Açores é uma área de alta pressão ao largo da costa atlântica. Essa área, que os pesquisadores dizem girar no sentido horário em partes do Atlântico Norte, tem um grande impacto no clima da Europa Ocidental e nas tendências climáticas.

Os cientistas dizem que o sistema de alta pressão na Europa atua como um “guardião” da precipitação. Incha durante os meses de inverno, enviando chuva para o interior com ventos úmidos de oeste. Durante os meses de verão, o ar seco desce causando condições quentes.

A chuva que cai no inverno é crucial para a produção de alimentos e a economia da Península Ibérica e do Mediterrâneo Ocidental. No entanto, tem vindo a diminuir, e o declínio foi particularmente dramático na segunda metade do século XX.

A equipe neste novo estudo usou simulações de modelos climáticos dos últimos 1.200 anos para chegar às suas descobertas. Eles também examinaram evidências de chuvas armazenadas em estalagmites portuguesas por centenas de anos.

O que os investigadores descobriram foi que houve uma expansão do Alto dos Açores. Eles afirmaram que isso foi particularmente grande no século 20 devido ao aquecimento global.

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Segundo os autores do estudo, o sistema de alta pressão começou a se espalhar por uma área maior há cerca de 200 anos. Isso foi na época em que as emissões de gases de efeito estufa começaram a aumentar. Os resultados mostram que um aumento das concentrações de gases com efeito de estufa na atmosfera durante a Era Industrial levou a uma extensão da alta dos Açores.

Os autores do estudo também observaram que os invernos no Mediterrâneo ocidental se tornaram mais secos como resultado.

Efeitos desagradáveis ​​na agricultura

Pesquisadores alertam que a expansão do sistema de alta pressão continuará no século 21 devido ao aumento dos níveis de gases de efeito estufa. Isso pode levar a secas mais frequentes na Península Ibérica e danos a importantes culturas.

A equipe de pesquisa citou previsões de que as chuvas podem cair em mais 10 a 20 por cento até o final do século.

“Nossos resultados têm implicações importantes para as mudanças projetadas no hidroclima do Mediterrâneo ocidental ao longo do século 21”, disseram os pesquisadores.

A agricultura na Península Ibérica estaria entre as “mais vulneráveis ​​da Europa” devido à previsão de nova diminuição das chuvas.

De acordo com a investigação citada neste estudo, a dimensão da área apta para a viticultura na Península Ibérica poderá diminuir em um quarto ou mais. Esta área pode desaparecer quase completamente até 2050.

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O aquecimento global e a queda das chuvas estão forçando os produtores de vinho da região a inovar mais. Estão a ser tomadas medidas para mover as vinhas para altitudes mais elevadas e produzir cultivares mais tolerantes ao calor.

A Espanha é um dos principais produtores de azeitona do mundo. No entanto, os cientistas prevêem uma queda de 30% na produção de azeitonas na região sul do país até o final deste século.

referências

A expansão do Alto dos Açores no século XX foi sem precedentes nos últimos 1.200 anos

Fernão Teixeira

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